A cera de Maria Bonita

Com o mesmo lábio que beijou Lampião,
Sem vida, mas quente na pele sertaneja,
Veio Maria Bonita, num simples caixão
Ao museu de São Paulo: prédio, não igreja.

Lá sobre a triste caixa que pesa a vida,
A multidão estuda o leito, quieta:
Seus dedos são de cera, a mão cumprida,
Seu coração duro, sem a voz do profeta.

Ela imita a cena daquela boca dura:
A trança parece que ainda é garrida…
A mesma sobrancelha feita na rasura…
E as botas limpas, sem trilha percorrida.

Até mesmo eu, cansado para as baladas,
Com a olheira funda de um moribundo,
Vim visitar a dama seca e empalhada
A ouvir ela dizer coisa ao meu mundo.

Fio, que prosa é essa?
Eu que já nasci cabra
E depois me fiz macha,
E fiquei mais macha
Que cobra hómi!
Nunca vi tanta pirraça
Numa cabeça de cachaça!

Anúncios
Explore posts in the same categories: polimétricos

Tags: , , ,

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

One Comment em “A cera de Maria Bonita”

  1. edson Says:

    bah!
    depois de 2 anos fui ver teu comentário no meu blog risus

    pode crê
    vou ler teu blog com calma, mano.
    para isso irei adicioná-lo aos meus favoritos, digo, vou segui-lo…
    parece ser muy legal risus

    abraço!!!!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: