Trovas de mi e de ti menor (processo de feitura)

Abaixo, pode-se ver em diálogo uma composição em dupla (coisa que é duplamente redundante).

Um exercício entre Rafael Coelho (eu)  e Fábio R.

A forma geral escolhida foi as tais trovas.

Fábio (fv):

Em relação ao Blend, tava me referindo há algo mais informal também,despojado,só pelo tesão de escrever, pra começar te mandaria umas trovas e vc responderia com outra e vice-versa, dpois se der liga aí partimos p/ algo mais sério, q tal?


Há de ser estupidez?
amortecido em colapso
ócio tece me relapso
quase no fim:perco a vez

inté

Rafael Coelho (rf):

Bem, fiz bem de improviso, pra ficar na proposta de informal. Como achei que da ida do seu quarteto pro meu ficou meio truncado coloquei um hifenzinho pra ficar um diálogo (ou quem sabe uma tentativa de diálogo que tenta ver onde isso vai chegar).

– Há de ser estupidez?
amortecido em colapso
ócio tece me relapso
quase no fim:perco a vez

– De estupidez vive o homem
Não tem remédio pra isso
Talvez um só paliativo:
Mais compras e se consome.

Fábio (fv):

Agora continuando o nosso desafio de trovar,

– Há de ser estupidez?
amortecido em colapso
ócio tece me relapso
quase no fim:perco a vez

– De estupidez vive o homem
Não tem remédio pra isso
Talvez um só paliativo:
Mais compras e se consome –


lembrar q mmo cm linguagem informal ainda vale o esquema das rimas na trova então sugiro:

– De estupidez vive o homem
(não tem remédio efetivo)
Talvez um só paliativo
(nas compras que se consomem)
———
Bom vamus dar um reboot? Numa proposta mais tradicional um pouquinho, que tal?

***

agem sem dominío os pés
galgo em desafio as sendas
celestes.Busco oferendas,
só pra louvar a tua tez

-Vou propor pra gente fazer as respostas mantendo o esquema de rimas
e se der além da resposta pra esta manda uma nova(desafiando-me a manter um esquema de rimas)

abrção

Fabio R.

Rafael Coelho (rf):

– Há de ser estupidez?
Amortecido em colapso,
Ócio tece, me relapso,
Quase no fim: perco a vez.

– De estupidez vive o homem
(Não tem remédio efetivo).
Talvez um só paliativo
Nas compras que se consomem.

-Agem sem domínio os pés,
Galgo em desafio as sendas
Celestes. Busco oferendas,
Só pra louvar a tua tez.

-As solas andam por fé
Com meus joelhos moendo.
Não, não! Nem estou podendo:
Caminho de marcha-ré.

– Então dê sua vira-volta.
As sendas, que de celeste
Esquece, são uma peste
Que não enrasca, só solta.

==> vamos possibilitar CERTA liberdade rímica (enda::endo) – o que na vdd seria muito pouca liberdade se fossem obrigatórias variações rímicas do tipo (enda::endo)

=:B

Fábio (fv):

Mais uma vez vmus as trovas:

– Há de ser estupidez?
Amortecido em colapso,
Ócio tece, me relapso,
Quase no fim: perco a vez.(fv)

– De estupidez vive o homem
Não tem remédio efetivo.
Talvez um só paliativo
Nas compras que se consomem.(rf/fv)

*

-Agem sem domínio os pés,
Galgo em desafio as sendas
Celestes. Busco oferendas,
Só pra louvar a tua tez.(fv)

(obs: a partir daq me surpreendeu a resposta não ter ido por um caminho mais brando e até mmo do liríco-amoroso)

-As solas andam por fé
Com meus joelhos moendo.
Não, não! Nem estou podendo:
Caminho de marcha-ré.(rf)

– Então dê sua vira-volta
As sendas, que de celeste
Esquece, são uma peste
Que não enrasca, só solta.(rf)

(obs:confesso ak q tive q pesquisar o sign de duas palavras)

jazem as sombras,e envolta
reviso a mágoa que investe
sob um mote cafajeste:
disfarça o medo em revolta(fv)

adoça a ferida o pus
servido em micro porções
supera o vinho e as canções
rogadas ao diabo e a cruz(fv)

…tá ficando bem obscuro isso ak não acha?

Falow Rafael,
um abço

Rafael Coelho (rf):

E assim vai indo, meu fio:

– Há de ser estupidez?
Amortecido em colapso,
Ócio tece, me relapso,
Quase no fim: perco a vez. (rf)
– De estupidez vive o homem
(Não tem remédio efetivo).
Talvez um só paliativo
Nas compras que se consomem. (rf/fv)
-Agem sem domínio os pés,
Galgo em desafio as sendas
Celestes. Busco oferendas,
Só pra louvar a tua tez. (fv)
-As solas andam por fé
Com meus joelhos moendo.
Não, não! Nem estou podendo:
Caminho de marcha-ré. (rf)

– Então dê sua vira-volta.
As sendas, que de celeste
Esquece, são uma peste
Que não enrasca, só solta. (rf)

– Jazem as sombras e, em volta,
Reviso a mágoa que investe
Sob um mote cafajeste:
Disfarça o medo em revolta. (fv)

– Adoça a ferida o pus,
Servido em micro porções,
Supera o vinho e as canções,
Rogadas ao diabo e a cruz. (fv)

– Rasga nas mãos de Jesus!
As feridas sem razões
Não passam de uns arranhões,
Servidas com um cuscuz. (rf)

– Mas para que o problema?
Se algo mora em seu peito,
A fim de gostar do jeito,
Então solte minha algema. (rf)

(É, nd de lirismo, ainda… Mas vm ver se vc volta nele. Confesso que relutei em usar “seduz” e me socorri, primeiro, com Jesus e, depois, com o cuscuz).

Fábio (fv):

seguindo “nossa brincadeira” pra voltar ao lirismo só rogando a Byron mesmo, segue ai meu complemento com um título ‘provisório” de brinde:

“TROVAS DE MI MENOR “

– Há de ser estupidez?
Amortecido em colapso,
Ócio tece, me relapso,
Quase no fim: perco a vez. (fv)

– De estupidez vive o homem
(Não tem remédio efetivo).
Talvez um só paliativo
Nas compras que se consomem. (rf/fv)

-Agem sem domínio os pés,
Galgo em desafio as sendas
Celestes. Busco oferendas,
Só pra louvar a tua tez. (fv)

-As solas andam por fé
Com meus joelhos moendo.
Não, não! Nem estou podendo:
Caminho de marcha-ré. (rf)

– Então dê sua vira-volta.
As sendas, que de celeste
Esquece, são uma peste
Que não enrasca, só solta. (rf)

– Jazem as sombras e, em volta,
Reviso a mágoa que investe
Sob um mote cafajeste:
Disfarça o medo em revolta. (fv)

– Adoça a ferida o pus,
Servido em micro porções,
Supera o vinho e as canções,
Rogadas ao diabo e a cruz. (fv)

– Rasga nas mãos de Jesus!
As feridas sem razões
Não passam de uns arranhões,
Servidas com um cuscuz. (rf)

– Mas para que o problema?
Se algo mora em seu peito,
A fim de gostar do jeito,
Então solte minha algema. (rf)

(que se solta a minha algema…????)

*Já confrontam se num dilema
Emissões de causa-efeito
Eu sôo verbo amaro no leito
Imaginário dum poema (fv)
heresia nessa as 8 sílabas)

As lágrimas byronianas
Rogo por um eu menor
Sendo válido o penhor
Ressurjo em taças cranianas(fv)

( ak mais um bônus
http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=896

Agora fica por sua conta fazer só uma trova já como saideira ou duas e assim seguir, nas duas hipoteses manda pra mim depois suas impressões dessa experiência de compor em dupla.

inté

Rafael Coelho (rf):

“TROVAS DE MI MENOR “
(Pensei que podia ser “TROVAS DE MI E DE TI MENOR”, dado o desafio (que pressupõe eu:tu), dado o resultado (uma espécie de “repente erudito”, com temática arcádica de Saturno)

– Há de ser estupidez?
Amortecido em colapso,
Ócio tece, me relapso,
Quase no fim: perco a vez. (rf)

– De estupidez vive o homem
(Não tem remédio efetivo).
Talvez um só paliativo
Nas compras que se consomem. (rf/fv)

-Agem sem domínio os pés,
Galgo em desafio as sendas
Celestes. Busco oferendas,
Só pra louvar a tua tez. (fv)

-As solas andam por fé
Com meus joelhos moendo.
Não, não! Nem estou podendo:
Caminho de marcha-ré. (rf)

– Então dê sua vira-volta.
As sendas, que de celeste
Esquece, são uma peste
Que não enrasca, só solta. (rf)

– Jazem as sombras e, em volta,
Reviso a mágoa que investe
Sob um mote cafajeste:
Disfarça o medo em revolta. (fv)

– Adoça a ferida o pus,
Servido em micro porções,
Supera o vinho e as canções,
Rogadas ao diabo e a cruz. (fv)

– Rasga nas mãos de Jesus!
As feridas sem razões
Não passam de uns arranhões,
Servidas com um cuscuz. (rf)

– Mas para que o problema?
Se algo mora em seu peito,
A fim de gostar do jeito,
Então solte minha algema. (rf)

– Já se confrontam num dilema
Emissões de causa-efeito.
Eu sôo verbo amaro no leito:
Imaginário dum poema. (fv)

– Às lágrimas byronianas,
Rogo por um eu menor.
Sendo válido o penhor:
Ressurjo em taças cranianas! (fv)

– Chega a um fim, balzaquiana,
a reflexão e o bolor,
sem Byron, sem o condor.
No valor, nada de grana. (rf)

Compor em dupla me revelou que o ritmo é escravo do tom. Me explico: a rima é a mesma, a métrica (apesar das heresias, sempre aparecendo, não tem jeito) tb é a mesma, mas o tom (de euforia, de reflexão, de louvor) leva a leitura (e consequentemente o ritmo).

Assim fica cada estrofe num ritmo. Num parar na leitura pra sacar como ler os 4 versetos.

Eu, não-claramente, vi o diálogo de dois ou + eus-líricos (que deixo a psicologia explicar a relação com o eu-eu).

Digo “ou +” porque há diferentes eu-líricos meus tb e seus tb.

A reflexão termina balzaquiana porque ela realmente beira aos 30.

Um abço redondilho!
=:B

Fábio (fv):

Bom, postei nosso exercício de composição no èpico, e concordo que as oscilações de humor influenciaram bastante no resultado.A situação de ruptura,ou de falta de coesão,ao invés de denegrir deixou a coisa interessante.Por que não é uma ruptura por simples desaforo, é uma ruptura da imagem do mundo romântico transmitido pelas novelas( esse clima de emoções gratuitas costuma imperar muito nas trovas). Os sentimentos devem ser manejados da forma que vc fez em sua proesia, sendo os detalhes do quadro(pra não usar o clichê a cereja do bolo).Sobre a palavra “balzaquiana” antes de maturidade ela me passa dá uma conotação decadente pela forma como é usada na linguagem corriqueira.E longe de ser decadente os whiskies e as mulheres nessa faixa etária anos são muito atraente não acha?

inté o próximo trago,
abços

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