Na 25 de março

Quais quintas já não fui? Todas! Mas dessa vez perdido numa corrente que já vinha levando — Sacoleiros trepavam em mim.  Que vigor! Enquanto não consumia, ia consumido, já embalado pra presentes, mesmo que pessoa, mesmo que sem preço, a certeza é que não iam me pagar, mesmo se eu pedisse o mínimo, iam me mandar catar piolho em bando. Pela cauda da multidão várias conchas eram vozes de tudo. Fui levado, abatido em pé, mesmo que andasse de marcha-ré. Me arrastavam e nada pra poder fazer, vivia somente na onda deles,  na força, eu já elipse, tomava-me de passada fluvial;

Muitos me querendo na esquina. Aos meus olhos pediam atenção. E ficava tonto, não celestial, cheio de nada, rolado no mar, barulho nas compras. O pedir já pedalado, mas já não ia e via, andar para empurrar, tendo mil cores. O mundo cada vez mais entrando e enquanto ia, pedia licença, pedia senhor

E talvez atravessasse na joalheira que tentei agora orquestrar como cadáver na moita e já não me imponha notas auroras — ia-se com a inadimplência que rasga a vida de quem devia. Que nenhuma mente aprenda (mais levado é nos braços do seu empurrado alarme sem pés). O sol é forte e a salamandra passeia sobre a mesa da barraca de mercadorias: o mesmo ser condenado. Vejo aquilo que sentamos por dois ou três trocados do tudo. É certo que nenhuma resistência me entorpecia. Nenhuma firma vive a enclausurar meu corpo,

Já vivo sem previsões, golpeado, sem freio, um tanto furor, onde me perdi completamente, queria conquistar amar, sem tatear, no veludo da arcada que se escondia das outras visões, sem morrer: o erro. O talvez, se mar, na veste, — frações de ronda ardente no meu peito, já me escondia sem sorrir, sem não levar tudo, e brando, Calçava  o negro tênis, via o nunca ter havido.

Ela, e ela que curvas! — Gigantescos dragões destravando seus ombros com a mão que não encontrava ninguém. Ninguém jamais regeu suas cordas em tom tão bom. Talvez se sentiu amada (ou extravagante), pois eu tinha rivais: vagantes e duros. Era só mais uma esquina e era uma esquina por dois céus sorrindo.  O olhar tal qual a tarantela! Um bom almoço por quilo. E se quer e se ver num qualquer oceano, calmos — querem que além da minha tentativa que estreita, com tanta pelo céu; e toda amarela, ou

Inchaço, muito tempo, porque justo neste! Universo iguala todo mundo e não mais vejo, há nenhuma árvore no prédio: céus, visão e ênfase onde a luz faz fraca. Com quais mesmos olhos faço a vida? Releem agora, contudo abre sempre no início, espera o terrível, sempre é sempre mais forte. Porque ninguém desaparecerá na voz do outro. Quase sempre meus olhos são sorte. Não o íntimo. Sim, as moléculas da não-gente Me Pode haver, nem embora, pétala por pétala

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4 Comentários em “Na 25 de março”

  1. nydia Says:

    “fazer poesia é dobrar esquinas … e há um incêndio atrás de cada esquina” – Lalo Arias

    Nos olhos do poeta, há salamandras e flores. E a vida pode queimar, ou pétala por pétala florescer. Releituras possíveis.

    Adorei tua prosa, Rafa. Um beijo!

  2. Mantovani Says:

    lispectoreana visita a um lugar apocalíptico

    vou voltar mais aqui
    saudade e bjo
    Mantovani

  3. Fabio R. Says:

    25 de março não seria 25 de dezembro? desculpa essa mais o ressaca do vinho barato me deixou mais cretino do que o usual.Ah!o centro de SP, um lugar tão surreal principalmente de madrugada.Vamos ao texto, muito glauberiano(vide o dragão e a salamandra).As imagens fazem o cinema mas são as impressões(pra fugir do clichê emoções)que fazem aqui a poesia( ou a proesia)

    ***********
    Bom, postei nosso exercício de composição no èpico, e concordo que as oscilações de humor influenciaram bastante no resultado.A situação de ruptura,ou de falta de coesão,ao invés de denegrir deixou a coisa interessante.Por que não é uma ruptura por simples desaforo, é uma ruptura da imagem do mundo romântico transmitido pelas novelas( esse clima de emoções gratuitas costuma imperar muito nas trovas). Os sentimentos devem ser manejados da forma que vc fez em sua proesia, sendo os detalhes do quadro(pra não usar o clichê a cereja do bolo).Sobre a palavra “balzaquiana” antes de maturidade ela me passa dá uma conotação decadente pela forma como é usada na linguagem corriqueira.E longe de ser decadente os whiskies e as mulheres nessa faixa etária anos são muito atraente não acha?

    inté o próximo trago,
    abços

  4. Rafael Coelhoo'Clock Says:

    eu pensei a 25 a tarde de dezembro (não a noite).

    realmente, uma experiência sui generis: vc não encontra um treco daquele em qq cidade não, fio!

    é a experiência do fenômeno rebanho: onde todo mundo vai todo mundo tb vai (psicologicamente: “onde todo mundo vai, eu tb vou”)

    eu tb vou: eu, eu, eu…, eu-lírico

    pronto! pra ficar, igual à Nydia (sabiamente), falando com as impressões (as releituras possíveis).


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