A cera de Maria Bonita
Com o mesmo lábio que beijou Lampião,
Sem vida, mas quente na pele sertaneja,
Veio Maria Bonita, num simples caixão
Ao museu de São Paulo: prédio, não igreja.
Lá sobre a triste caixa que pesa a vida,
A multidão estuda o leito, quieta:
Seus dedos são de cera, a mão cumprida,
Seu coração duro, sem a voz do profeta.
Ela imita a cena daquela boca dura:
A trança parece que ainda é garrida…
A mesma sobrancelha feita na rasura…
E as botas limpas, sem trilha percorrida.
Até mesmo eu, cansado para as baladas,
Com a olheira funda de um moribundo,
Vim visitar a dama seca e empalhada
A ouvir ela dizer coisa ao meu mundo.
“Fio, que prosa é essa?
Eu que já nasci cabra
E depois me fiz macha,
E fiquei mais macha
Que cobra hómi!
Nunca vi tanta pirraça
Numa cabeça de cachaça!”
Tags: cera, Maria Bonita, poema, poesia
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setembro 29, 2010 às 10:40 pm
bah!
depois de 2 anos fui ver teu comentário no meu blog risus
pode crê
vou ler teu blog com calma, mano.
para isso irei adicioná-lo aos meus favoritos, digo, vou segui-lo…
parece ser muy legal risus
abraço!!!!