Minha AGON contra o Drummond

Drummond. Drummond. Drummond.

tinha um dele no meio, no meio daquele caminho

decorar, dizem de cor, de coração.

 

Harold Bloom, crítico estado-unidense, já falou bastante dessa tal ANGÚSTIA: ANGÚSTIA DA INFLUÊNCIA. ANXIETY: ANXIETY OF INFLUENCE. É o nome do book on the table.

 

Ele fala daquela visão bem comum de atribuir a um poeta do passado um valor nacional-simbólico (o “nacional” é meu), um caráter por demais exemplar.

 

Poetas vindos depois teriam, todos eles, sem exceção, uma misreading, como jeito de superar a influência. Explico. Misunderstand é mal-entendido. Misreading não é bem mal-lido, mas é lido, intencionalmente, num mal-entendido. Os poetas que vieram depois do poeta valorado tentam superar a influência num combate criativo. Simplesmente, o poeta posterior realiza em obra uma resposta ao seu antecessor influente. Bloom diz que essa força de combate é a agon.

 

Cliquem nas imagens abaixo (ou só passem o mouse e vejam os poemas em RSS), percebam que a minha agon não foi capaz de superar o poema O ELEFANTE de Drummond. A minha resposta foi o poema A MULA.

 

O elefante por DrummondA mula por Rafael Coelho

 

Pro ledor pouco atencioso, logo advirto: os animais são metáforas.

 

Metáfora é algo do tipo:

 

Maria é rosa.

 

Ø  A Maria não é uma planta, mas é tão vistosa como uma linda flor. E isso foi outra metáfora.  

Ø  Maria = Rosa, assim como ELEFANTE ou MULA = POEMA.

Ø  Portanto, MULA é um misreading de ELEFANTE.

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