Mixeto

quantos quilos de saudade
por quem já não quer saber
da minha dor de covarde,
sem mais o imenso prazer.

a lembrança ainda volta,
ainda grudada em mim,
e me persegue em escolta,
verdadeira espadachim.

as saudades me comovem,
desde muito cedo, jovem.
só não posso deixar de di-

dizer aquilo que sinto:
as saudades que chovem,
por você, não se movem,

elas vêm a mim, não minto!
isso aprendi no instinto:
cada um que cuide de si.

mantém-se o perfume ainda,
mas como frasco sem corpo.
me basta o enredo, linda,
que você já deu enrosco.

tantos eu pago em notas
pra provar que nada há
de ruim, no pouco ar
que, em mim, nada comporta.

(Da série Boné de mixetos: estudo sobre redondilha maior e sonetos)

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