Metropolitan News
Esse é mais um daqueles. É aquela sensação disfarçada de estar fazendo agora a mesma coisa que já fizeram antes, mesmo assim você tem que dizer. Nenhuma coisa que tá aí é uma coisa que ainda não foi. A coisa continua a mesma.
De novo, o açúcar com café que não me mata. De novo, o suicídio que não me acorda.
Esse é mais um daqueles. Nem digo círculo, porque o melhor seria o oito deitado: o símbolo do infinito! É piada dizer que desfaço o desenho assim por dizer. Não me ensinaram na escola. Essa coisa que já foi é a mesma coisa que tá aí. Se não sou eu, quem é? É preciso acreditar que alguém vai acabar com o desenho. Isso, sim, me ensinaram na escola. De novo,
esse é como os outros. Ainda naquela de busca, quando parece que já nem tem jeito. Não tem jeito nenhum o que faço: é cousa mesma, é mesma coisa. Gostar da mesma coisa é ficar na mesma. Melhor dizer do que fingir não ter ido nunca na escola.
Ow! sweet town, sweet town, já não vejo o ar que te respiram, já não corro em razão de tua cura; teus beijos não são beijos (escrevi pra lembrar); já nem consigo me revoltar por ti em vão. Ow, ow!
Esse é como os outros. Os vivos gostam de manter os mortos vivos, mas nem todo morto acorda. Sweet town, sweet town, são construções altas com riscos de ruínas, mas elas não se vão de uma vez por todas: elas voltam, mudam de endereço. Mudar de endereço não é mudar de dono. Esse vidro quebrado que de longe dá pra ver lá fora, não vê nem lá fora direito. Ow! sweet, sweet! Teu doce reembalado pelas indústrias de mesmo nome, teus cachos de gente em frente ao espelho. News, sweet town! News não há! Existem somente as linhas do tempo,
enroladas naquilo que, em mim, é como nos outros.
This entry was posted on Junho 21, 2008 at 10:00 pm and is filed under prosa experimental. You can subscribe via RSS 2.0 feed to this post's comments.
Tags: metrópole, poesia do capitalismo, poesia social
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